As certificações independentes mais usadas na moda: parte 2

Os seus logótipos encontram-se nas etiquetas das nossas marcas favoritas, mas será que sabemos o que significam? Para a segunda parte deste artigo, centramos seis certificações independentes usadas na moda sustentável.
Os seus logótipos encontram-se nas etiquetas das nossas marcas favoritas, mas será que sabemos o que significam? Para a segunda parte deste artigo, centramos seis certificações independentes usadas na moda sustentável.

Ideias a retirar:

O Standard 100 da OEKO-TEX garante a segurança dos produtos de moda para a saúde do utilizador, enquanto o Made in Green acrescenta a responsabilidade social e ambiental aos critérios requeridos.

O certificado Cradle to Cradle examina parâmetros ambientais e sociais, com foco na circularidade do produto.

A organização Forest Stewardship Council possui três certificações, que regulam materiais celulósicos provenientes de florestas controladas e reciclados. 

O rótulo Worldwide Responsible Accredited Production é um dos mais renomados na proteção social dos trabalhadores de várias indústrias, incluindo a da moda.

O certificado PETA – Approved Vegan encontra-se nos produtos de moda que não possuem componentes de origem animal.  

 

Após termos analisado as vantagens e desvantagens das certificações independentes e examinado algumas das mais conhecidas (nomeadamente: Global Organic Textile Standard, Better Cotton Initiative, Global Recycled Standard, B Corp e Fairtrade), regressamos ao tópico para apresentar seis novas certificações que estão a dar cartas no mundo da sustentabilidade.

 

OEKO-TEX – Standard 100 e Made in Green

Estabelecida em 1992, a OEKO-TEX é uma das organizações independentes mais respeitadas do setor têxtil. Possui 17 institutos de pesquisa e análise, na Europa e no Japão, onde são testadas as melhores práticas de produção de vestuário, calçado e itens de pele ao nível ambiental e da saúde do utilizador. Neste âmbito, detém duas certificações: o Standard 100 e o Made in Green.

O rótulo Standard 100 é, dos dois, o mais disseminado e dedica-se à análise da toxicidade em produtos de moda. Quando uma peça de roupa possui esta certificação, tal garante que todos os componentes presentes na peça de roupa ou de calçado são seguros para a saúde humana, não havendo quaisquer substâncias banidas pela União Europeia (ou pelo país onde se encontra à venda).

O Made in Green, por sua vez, assenta em critérios de sustentabilidade social e ambiental, ao assegurar que a cadeia de produção é rastreável e responsável para o Planeta e as comunidades afetadas. Este rótulo possui ainda as características relativas ao Standard 100, estando em peças seguras para a saúde humana. Qualquer produto certificado com um rótulo Made in Green possui um QR Code, através do qual se pode conhecer a totalidade da cadeia de fabrico do produto de moda.

 

Cradle to Cradle (C2C)

Começando o seu percurso na moda como uma instituição dedicada à pesquisa de processos circulares, a Cradle to Cradle evoluiu para uma certificação independente, que harmoniza os critérios de circularidade (e não só) dos produtos por si certificados.

Na sua quarta versão (a mais recente à data da redação deste artigo), o rótulo Cradle to Cradle assenta os seus critérios de certificação em cinco parâmetros:

  • Segurança dos materiais, ao nível da saúde humana e do ambiente;
  • Circularidade do produto, assegurando que os processos produtivos e de design vão ao encontro das práticas de economia circular;
  • Proteção do clima e garantia de ar limpo, examinando o impacto da produção na qualidade do ar, no fornecimento de energia (renovável) e nas emissões de carbono;
  • Gestão da água e do solo, através da minimização do seu consumo e tratamento dos recursos;
  • Justiça social, baseada nos princípios de direitos humanos internacionais.

 

Forest Stewardship Council (FSC)

A Forest Stewardship Council é uma das maiores organizações associada à proteção das florestas. Na indústria da moda, incide sobre as fibras celulósicas, como a viscose, o modal e o lyocell, e sobre outros aspetos essenciais ao funcionamento do setor, como o embalamento dos produtos.

Dentro da Forest Stewardship Council, existem três certificações. Através do rótulo FSC 100%, garante-se que todos os componentes presentes no produto em questão correspondem a florestas certificadas pela FSC, sendo, por isso, geridas de forma responsável ao nível ambiental e social. Por sua vez, o FSC Recycled indica que o produto foi, na sua totalidade, produzido a partir de materiais reciclados. E, com o FSC Mix, o produto combina materiais provenientes de florestas certificadas pela FSC, materiais reciclados e/ou madeira controlada pela FSC (que, embora não origine numa floresta certificada, é na mesma examinada pela organização).

 

Worldwide Responsible Accredited Production (WRAP) 

Ainda que não seja amplamente utilizada na União Europeia, a certificação Worldwide Responsible Accredited Production tem um papel essencial na garantia da sustentabilidade social na cadeia de produção de moda. Todos os produtos que possuem o seu rótulo cumprem com os seguintes princípios:

  • Cumprimentos das leis e regulações locais do mercado de trabalho;
  • Proibição de trabalho forçado;
  • Proibição de trabalho infantil;
  • Proibição de assédio e abuso;
  • Compensação e benefícios baseados, pelo menos, no mínimo requerido por lei;
  • Horas de trabalho correspondentes, no máximo, ao limite imposto por lei;
  • Proibição de discriminação;
  • Garantia da saúde e segurança no local de trabalho;
  • Liberdade de associação e organização coletiva (por exemplo, através da sindicalização);
  • Cumprimento com as leis de proteção ambiental locais;
  • Cumprimento com as leis aduaneiras locais;
  • Reforço da proteção dos trabalhadores em todos os passos da cadeia.

 

PETA – Approved Vegan

Como o nome indica, a certificação Approved Vegan da PETA encontra-se presente em produtos vegan, ou seja, que não contenham componentes de origem animal. Esta pode ser requerida em vários setores da moda (e não só), nomeadamente no vestuário, fibras e materiais, malas e carteiras, joalharia, calçado e até têxteis domésticos.

 

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